QUANDO DEUS FAZ SINAL (ALIANÇAS)

Para compreendermos os sacramentos, precisamos partir do amor. Por este caminho compreenderemos que os sinais gratuitos da vida, por mais inúteis que pareçam, são mais necessários que o comer e beber; e mais eficazes. Vejamos o bebê. Precisa de comer e beber, mas sem os "sinais de amor", aconchego, proteção, ele não se desenvolve. Dentro da aliança entre os pais, e dos pais com ele, está a segurança do bebê de que vai ser cuidado, amado, e protegido. Os sinais de que a aliança está sendo cumprida, são os beijos, os carinhos, a limpeza e assepsia, o embalo, etc.

Os sacramentos contém uma maravilhosa verdade: são mistério de aliança. É a partir deste ponto que poderemos começar a compreendê-los.

Qualquer aliança é como a junção de duas margens: daí em diante elas constituirão apenas um único rio para um passeio comum. É um acontecimento real, não uma idéia. É um acontecimento histórico, porque a história das duas partes envolvidas vai ser completamente alterada: o filho, a partir de sua concepção, entra na vida dos pais e vice-versa, o noivo na vida da noiva, etc.

Na aliança de Deus com o homem, há mudanças profundas. Ao fazer aliança com o homem, Deus aceita sujeitar-se e restringir-se por meio de um acordo. Ele está disposto a privar-se de sua liberdade na aliança para facilitar-nos, tomar posse daquilo que Ele deseja que consigamos. Antes de fazer uma aliança, Deus tem o direito de fazer o que quiser, mas depois, Ele só pode agir de acordo com os termos da aliança, porque está sujeito a ela.

Agora a aliança passa a ser uma questão de fidelidade e legalidade, e não de graça. Ela deve ser executada de acordo com a fidelidade, a justiça e a lei. Se estebelecemos uma aliança com alguém, estipulando nela as coisas que iremos fazer, estaremos quebrando nossa palavra e sendo infiéis se não executarmos o acordo. Se duas pessoas fazem um contrato de trabalho, onde uma se compromete a realizar um certo número de obras, e a outra a pagar um certo preço, caso qualquer parte quebre o contrato ou não o cumpra, a outra pode ir à justiça e exigir o cumprimento da lei.

Porém, apesar de ser uma questão de fidelidade e justiça, as alianças de Deus com o homem, são uma prova inegável e profunda de sua graça sem limites. Somente por amor e graça, ELE aceita submeter-se a um acordo. Podemos ver um exemplo de um casal de noivos, que se casam. Eles fazem uma aliança, onde cada um se restringe e se obriga a ser fiel, mas fazem isso alegres porque é por amor que o fazem.


A -Deus faz a aliança com o homem, porque através dele mostra suas intenções e pensamentos, dá garantia aos homens e portanto aumenta-lhes a fé.

Vejamos as alianças mais importantes:

NOAICA - O homem peca e morre. O pecado chega a um nível insuportável. Deus destroi os homens por meio do dilúvio, mas preserva Noé e sua família; e como sinal de sua aliança envia o arco-íris. (Gn.6,18-21 ; 9, 8-17).


2 - ABRAÂMICA - Deus que ama com loucura, quer se revelar melhor, se aproximar mais do homem, ter comunhão, intimidade com ele. Assim como um afogamento, para salvar o afogado se agarra-o por um membro (mão, pé, cabelo) para depois salvá-lo por inteiro, Deus agarra a humanidade por um homem, Abraão que será seu amigo. Dele descenderá um povo, que receberá a revelação de Deus, a guardará e passa-la-á ao mundo (Gn,l5, l-18).


3 - MOSAICA - Deus estabelece a aliança da lei com seu povo Israel. É a antiga aliança (Hb. 8,7). Se os filhos de Israel guardarem a lei, Deus os abençoará; se porém a violarem. Ele os castigará. (Ex.l9,l9,l-8).

Ao fazerem uma aliança com o homem, Deus seria infiel e injusto se não executasse tudo o que nela está escrito. Sabemos que Ele faz aliança conosco para que sejamos incentivados a pedir-lhe, exigindo que Ele cumpra o que disse na aliança segundo a justiça. Agora Ele está sujeito pela aliança; deve pois, atuar retamente. Ao conhecer isto, voltamos à função da aliança, pois temos nossa fé aumentada, conhecemos o que Deus quer e temos garantia de que Ele o fará. Por isso compreendendo a aliança, sabemos como orar, pedir a Deus com ousadia. (Sl. 143, 1 -II - Cr. 6,14-17).


B - A Nova aliança - Hb.8,6-13 - Nova aliança com base em superiores promessas (v.6) Deus imprime suas leis na mente do homem e as inscreve em seu coração Hb.8.10b). Deus dá a ordem e capacita o homem a fazer a vontade divina. Deus é nosso Deus, e somos o seu povo. (V.10c). Ela ajuda-nos a conhecer a Deus mais profundamente em nosso íntimo, sem a necessidade de sermos instruídos por homens (V.11). Portanto, ela é o sangue da aliança com o qual somos santificados (Hb.10,29), é a "superior aliança"(Hb.7,22) e "eterna aliança" Hb.13,20).

Podemos resumir essas partes principais da nova aliança da seguinte forma.

1 - PURIFICAÇÃO- (Hb.8,12) - Deus nos purifica para que Ele possa ser nosso Deus, e nós o seu povo, e assim conhecê-lo mais profundamente, Ele nos perdoa mesmo antes de imprimir suas leis em nossas mentes e em nossos corações. O perdão encontra-se na aliança.

2 - VIDE A PODER - (Ez.36,25-28; Jr. 31-33) - Compreender a regeneração, o novo nascimento, a transformação interior até que sejamos semelhantes a Cristo, enfim é a atuação da Lei do Espírito e Vida (Rm.8,2), nós recebemos a vida de Deus, por meio do Filho, e o Filho vem por meio do Espírito Santo. O Espírito Santo traz e opera a vida de Deus em nós; e ao mesmo tempo nos dá o poder de Deus, para vencermos.

3 - CONHECIMENTO INTERIOR - (Hb.8,11) - É um conhecimento mais profundo de Deus, uma revelação interior, mediante o Espírito Santo. (I Jo.2,27). Temos a unção do Senhor sobre nós. Essa unção permite-nos ouvir quando o Senhor fala ao nosso coração e entender quando somos ensinados por algum servo de Deus.

Pois bem, ao entendermos o amor de Deus manifesto em sua aliança, podemos ter a base para entender os sacramentos, pois estes são "os sinais eficazes da Aliança, quer dizer, eles a revelam e realizam ao mesmo tempo".

Na celebração dos sacramentos, Jesus Cristo ressuscitado, está realmente presente. Através dos gestos e palavras que "significam" sua presença e ação. Ele derrama graça salvadora para realizar em nós "a purificação, a vida e poder e o conhecimento interior", prometidos na aliança.

Purificar a humanidade com o banho da água e santificá-la pela "Palavra" é o sacramento do batismo. Alimentá-la divinamente é o sacramento da Eucaristia. Torná-la gloriosa, sem manchas nem rugas, é todo o trabalho amoroso incessantemente retomado nesses encontros de ternura que são os sacramentos. Cristo, com toques sucessivos, santifica, consagra, torna semelhante a Ele, a sua igreja, até fazer com que todos sejam um com Ele.

Is.55,10-11 - Há um "momento" para celebrar cada sacramento: o batismo quando se ingressa na Igreja, o matrimônio quando os noivos estão aptos a um compromisso definitivo, etc. Porém esse momento não constitui o todo do sacramento. Há tempo e o momento de cada sacramento. O momento é o da celebração, mas deve se abrir para um tempo que dure. Na celebração é posto uma semente, que deve germinar ao longo da vida.

Os sacramentos em nós, são fontes jorrando para a vida eterna (Jo.4,14).