A
ENCARNAÇÃO
(Jo.1,14) E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS...
A palavra grega traduzida por "habitou", deriva-se do substantivo "tenda", numa alusão ao tabernáculo no deserto, onde o Senhor viera habitar no meio do povo de Deus.(Ex.25,8-9; 40.34) . A presença de Deus neste versículo é salientada. Essa presença tornou-se visível por meio do "Logos" na carne. Assim, Deus contava com seu tabernáculo aqui na terra. No V.T. o tabernáculo tanto era um lugar de habitação, como de encontro com Deus. Em Jesus, Deus habita e se encontra conosco. (Col.2,9); (Jo.14,6) .
Vamos estudar agora o porque do "Logos" se encarnar. Qual a necessidade do Pai entregar Seu Filho único? O que levou o Filho a aceitar "se esvaziar" de Sua glória (Fp.2,7) e se encarnar?
É preciso voltarmos para o Gênesis e compreender as implicações legais da queda do homem, no Éden. É preciso termos em mente, que Deus é infinitamente justo, por isso incapaz de burlar as próprias leis, estabelecidas por Ele no universo. Ele pode fazer o que quiser, porque é onipotente, mas como é absolutamente justo, tudo o que faz está rigorosamente dentro das normas que Ele estabeleceu.
Originalmente o homem foi feito para ter autoridade e domínio (Gn.1,26). Deus deu a ele o governo da terra (Sl. 8,7; 115,16 ou 113,24). Legalmente tudo pertencia ao homem, mesmo sendo obra de Deus.
Adão fracassou na sua missão de governar. Ele perdeu tudo o que possuía, quando optou por obedecer satanás. Agora era escravo e tudo que era dele, pertencia legalmente a satanás. (Rm.6,16). Satanás passou a ter autoridade legal para governar o homem e a terra. Deus deu a bola a Adão, e este perdeu-a para satanás. (Mt.4,8-9). Deus podia arbitrariamente tomar de novo a bola e dá-la novamente a Adão, mas estaria indo contra a sua própria justiça. É como alguém construir uma casa, ir ao cartório e registrá-la no nome de alguém. Legalmente a casa pertence agora àquela pessoa que possui a escritura. Se esta pessoa, perder a casa em alguma dívida, o indivíduo que construiu, não pode ir lá e tomar a casa de volta. Ele precisa resgatar a dívida legalmente, para ter de novo a casa por ele construída.
Deus sabia que o domínio de satanás precisava ser revogado. Era preciso encontrar um meio legal de redimir o homem caído, de resgatar sua dívida com satanás. Mas como? Deus não poderia fazer isto, passando por cima do homem, porque não seria justo.
Nenhum anjo poderia fazer isto, porque não foram eles que perderam a terra, visto que não pertencia a eles. Era necessário que um membro da raça de Adão, se qualificasse para entrar com um processo no tribunal universal e tirar de satanás a herança e o domínio que Adão perdera. O governo da terra foi dado ao homem. O homem perdeu-o. Só um homem poderia legalmente recuperá-lo. Por isso logo após a queda Deus faz uma promessa em (Gn. 3,15), afirmando que um descendente da raça de Adão, um filho de mulher (Gl.4,4), esmagaria a cabeça da serpente, embora fosse ferido no calcanhar.
Acontece que Adão tornou-se escravo de satanás, e igualmente toda sua descendência (II Pe. 2, 19 b),(Rom, 3, 10, 22, 23). Era preciso encontrar um homem sobre quem satanás não tivesse direito legal, alguém que tivesse condições de cancelar, num tribunal o domínio de satanás.
Parecia um caso perdido, mas Deus encontrou a solução:
A ENCARNAÇÃO - (GL.4,4-5)
Jesus foi
concebidos pelo Espírito Santo, logo NÃO era filho, de Adão. Satanás não tinha
nenhum direito sobre Ele, pois Ele não tinha a semente do pecado; Logo não era
escravo. Porém era nascido de uma mulher, um autêntico ser humano, capaz de
qualificar-se para entrar na luta legal e reclamar a propriedade que Adão
perdera.
NECESSIDADE
DO NASCIMENTO VIRGINAL
(Lc.1,35) Era
necessário, que esse homem não fosse descendente de Adão e não carregasse a
semente do pecado, por isso era indispensável o nascimento virginal. Não fosse
assim, Ele seria escravo como qualquer outro. Além disso, o desafiante de
satanás tinha que ser não somente humano, mas alguém que provado, fosse moral e
espiritualmente perfeito, um justo, "cordeiro (Ex.12,5) sem mácula". (I
Pe.1,18-20); um homem absolutamente sem pecado. Se Jesus não fosse filho de Deus
por meio de Maria, em razão de uma concepção sobrenatural, Ele teria herdado o
pecado de Adão e não conseguiria viver uma vida absolutamente pura, teria caído
sobre o domínio de satanás, e não poderia entrar neste conflito legal. A fim de
qualificar-se legalmente, Ele tinha de ser verdadeiramente humano. A fim de
qualificar-se moralmente, tinha de ser indiscutivelmente divino.
Jesus sempre se apresenta como Filho do homem, para mostrar que como homem é que Ele agia aqui na terra, e na condição humana, isto é, com os recursos disponíveis a um homem, iria resgatar a humanidade.
JESUS , O
HOMEM
Como homem e
sem pecado, não estava sob domínio de satanás. A única chance do inimigo ter uma
base legal de autoridade sobre Jesus, e assim vencer a guerra, era persuadi-lo,
tentá-Lo a romper Sua comunhão com o Pai. Ele tinha que pressioná-Lo a
rebelar-se e atuar independentemente, assim com fez Adão. Essa era a estratégia.
Essa a grande e terrível batalha. O destino dos homens dependia desta luta. Se
satanás conseguisse por uma única vez prevalecer sobre Jesus, e fazer com que
Ele desobedecesse o Pai, seria vencedor, e o mundo permaneceria eternamente nas
mão do inimigo.
Embora Jesus fosse "verdadeiro Deus de verdadeiro Deus", tinha de travar esta batalha e vencer como "verdadeiro homem de verdadeiro homem". Jesus teria que vencer com os mesmos recursos disponíveis a Adão. Ele combateu satanás e venceu, puramente como homem . De Belém ao Calvário, o conflito foi furioso. Para recuperar a herança do primeiro Adão, o último Adão e Lúcifer tiveram um combate mortal. Foram 33 anos de fúria contínua. O outrora "filho da Alva", guardião do trono de Deus, o mais elevado de todos os recursos disponíveis no inferno, num esforço por desfazer a lealdade de Deus-Homem com seu Pai Celestial. Uma só fraqueza, uma pontinha de rebeldia e tudo estaria perdido.
Esse inimigo
pervertido, fez o máximo durante os anos em Nazaré, e na tentação do deserto, na
oposição dos escribas e fariseus, no Getsêmani, na sala de julgamento de Pilatos
na crise do Calvário. Até o último momento, ele lutou para que Jesus não agisse
como homem, e assim se desarmonizasse com o Pai. (Is. 14,12-15).
A Encarnação de Jesus