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Junho: Mês do Sagrado Coração

A nossa Igreja possui uma rica tradição devocional que se for bem aproveitada e vivida pode nos ajudar muito. Ajudar em quê? No conhecimento e vivência da Palavra de Deus e da pessoa de Jesus, na vida fraterna com os irmãos de caminhada, no nosso crescimento moral, humano e espiritual. Enfim, podemos beber muito no abençoado poço das devoções e práticas piedosas que a nossa Igreja nos ensina.

Não tenho nenhum receio em afirmar que uma das devoções mais bíblicas e mais bonitas que temos é a do Sagrado Coração de Jesus. É bonita porque o coração de Cristo abre-nos as portas da misericórdia e nos faz sentir a grandeza do amor de Deus por nós. É bíblica porque não há, nas Sagradas Escrituras, nenhum tema que ocupe mais espaço do que o desejo de Deus de salvar o seu povo.

A palavra coração aparece, na Bíblia 871 vezes, evidenciando que ele é o lugar da experiência de Deus e é também o lugar dos sentimentos mais verdadeiros do homem. Na Bíblia os mandamentos não são guardados apenas de maneira racional, como podemos ver:

“Escuta, Israel! O Senhor, nosso Deus, é o Senhor que é um. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo coração, com todo o teu ser, com todas as tuas forças. As palavras mandamentos que hoje te dou estarão presentes no teu coração” (Deuteronômio 6,4-7).

No profeta Ezequiel encontramos a seguinte referência:

“Hei de dar-lhes um coração leal: porei neles um espírito novo, eu lhes tirarei do corpo o seu coração de pedra e lhes darei um coração de carne, para que caminhem segundo as minhas leis, guardem os meus mandamentos e os cumpram” (Ezequiel 11,19-20).

Olhemos também para o conhecido texto penitencial do profeta Joel, lido na quarta-feira de cinzas, que nos convida à verdadeira conversão, rasgando, não as vestes, mas o coração (cf Joel 2,13). A mudança de vida, segundos as Escrituras, consiste na transformação do coração, da maneira de pensar e sentir e não em meras atitudes exteriores.

Encontramos, particularmente no Evangelho de Mateus, expressões muito significativas de Jesus no que se refere à importância do coração. Nosso Senhor diz que são felizes os puros de coração (cf Mateus 5,8); que o coração do homem estará onde estiver o seu tesouro (cf Mateus 6,21). O mestre, ao explicar o que é puro e o que é impuro, diz que é do coração que sai o que o torna o homem impuro e mau (cf Mateus 15,18-20).

Não podemos nos esquecer jamais que o coração é muito importante para conhecermos o ser humano. Nele residem os seus mais sublimes sentimentos, que o tornam filho de Deus e também as mais terríveis impurezas, que o tornam hipócrita e o afastam da verdadeira vida.

Neste sentido, a devoção ao coração de Cristo deve nos ajudar a compreender ainda mais o nosso coração em face do mandamento do amor. Ainda mais verdades tudo isso se torna quando o próprio Jesus nos convida:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados sob o peso do fardo, e eu vos darei descanso; tomais sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Sim, o meu jugo é fácil de carregar e o meu fardo é leve” (Mateus 11,28-30).

Ajuntemos aqui a passagem tão bela e grandiosa do Evangelho de João:

“Os soldados vieram, portanto, e quebraram as pernas do primeiro e a seguir do segundo dos que foram crucificados com ele. Chegando a Jesus, verificaram que já estava morto; e não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados feriu-lhe o lado com lança e imediatamente saiu sangue e água” (João 19,32-34).

Aproveitemos bem o mês de junho, dedicado ao coração de Jesus e procuremos crescer ainda mais no amor a Deus e aos irmãos, pois ele, o nosso Redentor, nos oferece, a partir do seu coração aberto pela lança, a graça do batismo (água) e a força da Eucaristia (sangue) que nos fazem novas criaturas, chamadas a viver a bondade e a misericórdia que nos vêm gratuitamente, como fruto do seu amor por nós.

Seguem, anexas, a ladainha do coração de Jesus e um belo texto do grande Doutor São Boaventura, para ajudar na reflexão e oração durante este abençoado mês.

Pe. Guabiraba

   

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