A natureza do homem o
impele a estar sempre em busca da felicidade e da
paz. Por isso, é constante a sua insatisfação consigo
e com o mundo, com os homens e com Deus.
Mas porque será que isso
acontece? Aonde estará o erro?
Talvez o erro esteja
na maneira de buscar. Todas as vezes em que, para
alcançar o que se procura, não nos preocuparmos com
aqueles que estão no mesmo caminho, a dureza da luta
nos fará um conquistador isolado, e depois do prêmio
conquistado, é bem possível que não tenhamos com quem
compartilhar. Ou quando na busca da auto-satisfação
não nos importamos com a insatisfação dos que nos
cercam, e corremos o risco de nos satisfazer com um
banquete, e no entanto, necessitarmos das migalhas.
Talvez o erro consista
em buscar atingir o objetivo errado. Quando colocamos
em nossa vida objetivos materiais, com certeza não
teremos muito o que comemorar, pois tudo aquilo que
a traça corrói e que o tempo desgasta, acaba nos trazendo
mais preocupação do que gozo, mais cuidado do que
a alegria, e atraindo mais inveja do que amor, mais
competição do que amizade. Ou quando definimos como
objetivo um sonho pessoal, uma conquista como a fama
e o reconhecimento desse mundo, podemos perceber que
o difícil não é chegar lá, mas o impossível é permanecer
lá. A glória desse mundo passa, e quando ela passa...
E é por isso que nunca
estamos satisfeitos: quanto mais se tem, mais se quer;
quanto mais conquistas, mais conquistas queremos;
quanto mais fama, mais fama e assim por diante.
E o que se vê hoje são
os ricos em dinheiro, mas pobres em convivência. São
os orgulhosos por suas conquistas, mas famosos por
seus escândalos. São os conquistadores de multidões,
mas incapazes de manter em unidade a própria família.
São os atores de sucesso, mas que atuam palidamente
no palco da vida.
Em verdade podemos resumir
que vivemos mal porque buscamos errado, apenas para
satisfazer as próprias paixões. E buscando errado,
só podemos obter o que vem do erro: discórdia, divisão,
angústia, medo, insegurança...
E para acertar, devemos
chegar a uma conclusão sobre o que é a nossa vida.
Será ela tão efêmera, tão curta, tão resumida a esse
mundo, ou será ela eterna, gloriosa e em preparação
para o mundo espiritual?
É dessa resposta que
depende aonde nós vamos colocar os nossos esforços,
o nosso pensamento e as nossas riquezas.
Se realmente acreditamos
apenas em um mundo material, então busquemos com intensidade
a fama, a riqueza e o reconhecimento desse século,
e não nos importemos com os outros. Vamos passar por
cima de tudo e de todos, pois o que plantarmos aqui
colheremos aqui.
Mas, se a vida continua,
e é eterna, que a nossa busca seja mais comunitária.
Que o bem estar do outro seja sempre o mais importante
e que a minha vitória seja o resgate de vidas desanimadas,
desiludidas e cansadas.
Aonde colocarmos o nosso
coração, receberemos a nossa medalha. Pode ser um
ouro puro, mas que servirá apenas de enfeite para
o nosso túmulo, ou o eterno galardão que nos fará
brilhar como o sol na eternidade. Você pode decidir
aonde vai receber o seu prêmio.