SOMOS
DA PAZ?
Em meio á uma guerra
tão bestial quanto a que estamos assistindo, algumas
perguntas são necessárias, a nós, que somos da paz.
O que é a guerra? Se analisarmos uma guerra em função
de objetivos, veremos que muitos de nós não tem moral
para criticar a ação militar em curso no Iraque. Serão
diferentes os nossos objetivos daqueles declarados
pelos invasores? Subjugar o "inimigo", vencer
a qualquer preço, conquistar o que não temos direito,
prever o perigo e ataca-lo, sempre tendo em mente
que o perigo é o outro.
Se analisarmos a guerra tendo em mente o bem contra
o mal, como querem sempre os países envolvidos, deveríamos
deixar toda a nossa hipocrisia de lado, e antes de
soprarmos o cisco do olho dos outros, seria bom tirar
a trave que está em nossos olhos. Há bem em nós, quando
não repartimos o que nos sobra, quando nos escondemos
em nossas confortáveis casas para nos esconder dos
"bandidos", quando nos deliciamos em nossos
banquetes apenas com os nossos "escolhidos",
quando ajeitamos as coisas com o nosso "jeitinho"
para arrumar uma bolsa de estudo, uma vaga em concurso,
um emprego privilegiado, uma "furada" na
fila? O que chamamos de esperteza é, muitas vezes,
benéfico para nós, mas e para os outros?
Se ainda quisermos analisar uma guerra pelo número
de mortos, feridos e prisioneiros, seriamos como cegos
acusando cegos, louco apontando loucos e sujos querendo
lavar com lama. Quantos mortos no dia a dia pela violência
incontida, trânsito irresponsável e condições de vida
miseráveis? Quantas feridas abertas pelos mesmos problemas
anteriores, além das feridas psicológicas dos traumas
contemporâneos? Quantos prisioneiros do medo, da insegurança
e do egoísmo, cercados em suas próprias casas, reféns
da sociedade por nós construída?
Só veremos a bestialidade da guerra quando analisarmos
a guerra sob a perspectiva de nossas próprias vidas.
Então veremos a hipocrisia das manifestações pela
paz, que se tornam guerras particulares, com feridos
e presos, e violência tão irracional quanto a batalha
criticada e cenas que obscurecem o campo de batalha
que eles fingem não querer ver. Veremos apenas uma
dimensão maior de nossa própria arrogância, e nos
colocamos contra a guerra não por idealismo, mas por
vergonha de manifestar tão claramente a nossa própria
maneira de viver e de pensar.
E venceremos a guerra quando começarmos a agir com
transparência e vigor, primeiramente com os mais próximos
de nós, e através de atitudes de amor, não palavras,
sermos ouvidos pelos que estão longe. Não foi assim
que Gandi venceu a guerra? Não foi assim que Madre
Tereza abalou Calcutá e toda a repulsa pelo catolicismo
daquele lugar? Não foi assim que o evangelho de Jesus
Cristo se espalhou por todo o mundo?
Ser da paz não é manifestar-se por ela, mas é manifestar-se
com ela. Ser da paz não é esperar uma guerra para
armar uma "guerra pela paz", mas é produzir
paz sempre para não se abalar com as guerras que virão.
Ser da paz não é ser ausente dos conflitos atuais,
mas é ser atuante em conflitos eternos, na certeza
da vitória.
Ser da paz é pertencer a Deus, e perceber que nada
escapa do Seu controle. Ser da paz é ter a prontidão
da Palavra do Céu, o amor que tudo suporta e espera
e a convicção de que ESSE amor sempre vencerá.
VOCÊ
É DA PAZ?